Intel cria divisão com foco em carros autônomos
À medida que o mercado de PCs desacelera, a Intel cada vez mais está apostando suas fichas em chip e tecnologias para carros autônomos. É o mercado que a companhia agora persegue com afinco, como fez quando correu atrás do segmento dispositivos móveis há poucos anos, embora sem muito sucesso.
Carros autônomos são tão significativos para a Intel que a companhia anunciou na terça-feira, 29, que está criando uma divisão, a Automated Driving Group, que terá como foco o desenvolvimento de tecnologias de hardware e software para carros sem motorista.
A Intel já adquiriu uma série de companhias que desenvolvem tecnologia para o setor, além de ter iniciado parceria com a BMW e a Mobileye para colocar um carro autônomo na estrada em 2021. No início deste mês, a fabricante disse que investirá US$ 250 milhões nos próximos dois anos para desenvolver carros autônomos.
A divisão de IoT agora será liderada pelo antigo executivo de ARM, Tom Lantzsch. E a Automated Driving Group começará a trabalhar logo. Os veículos da Delphi e Mobileye usarão os chips Core i7 da Intel, mas serão atualizados quando um novo modelo for lançado. Além dos chips, a empresa também está desenvolvendo tecnologias em sensores e conectividade, segurança e aprendizado de máquina.
A Intel também acredita que carros autônomos irão ajudar indiretamente os negócios da área de servidores da companhia. O CEO Brian Krzanich estima que carros irão gerar 4 TB de dados a cada dia via imagens de câmeras e dados de sensores como radares e LiDAR. Servidores na nuvem ajudarão com reconhecimento de imagem, navegação e outras tarefas típicas da direção.
Mas a gigante dos chips terá bastante concorrência no mercado. Os chips da Nvidia alimentam os sistemas de navegação e infoentretenimento que serão usados por companhias como Volvo e Audi, que desenvolvem carros autônomos. A NXP, que está sendo comprada pela Qualcomm, fornece partes para sistemas de controle para carros.
Não se trata da primeira investida da Intel na indústria automotiva. Em meados dos anos 1980, a companhia forneceu seus chips para sistemas de controle para companhias como a Ford, mas se distanciou dos chips incorporados para se concentrar no mercado de PCs.