É preciso investir nas rodovias

02/02/2017 às 3:09 pm

Publicado em: Correio 24h

Por: Nilton Borges Ramos

Por conta da má conservação das estradas – muitas delas esburacadas, sem sinalização adequada e em precárias condições de trafegabilidade – o Brasil desperdiça, anualmente, R$ 2,3 bilhões, conforme cálculo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). O caso mais ilustrativo do abandono de nossas rodovias é o trecho de 262 km que liga os municípios de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, a Natividade, no Tocantis, por onde escoa boa parte da riqueza do agronegócio dos dois estados.

Velho, perigoso, sem sinalização, com curvas fechadas, pontes estreitas, buracos e ondulações, o trecho é considerado a pior estrada do Brasil, como demonstrou, em recente reportagem, o jornal Folha de S. Paulo. Um caminhão que percorrer esse caminho gasta, em combustível, quase 50% a mais do que despenderia numa estrada boa, sem falar no atraso já que terá que trafegar em baixa velocidade.
 Aliás, estradas boas é o que pouco se tem no Brasil, pelo menos de acordo com a consultoria Bain & Company, segunda a qual o país tem apenas 14 mil km de estradas de qualidade, aquelas com mão dupla, acostamento e sinalização, também chamadas de autoestradas. Isso representa apenas um décimo das estradas em iguais condições de dois outros países de grande extensão territorial, os Estados Unidos e a China.O lado perverso da má conservação das rodovias brasileiras é o número de acidentes. Eles aumentam a cada ano e matam mais do que em muitas guerras, cerca de 45 mil pessoas por ano.
 O péssimo estado das rodovias brasileiras se configura também num gargalo para infraestrutura de transporte necessária ao escoamento das riquezas, uma vez que a rodovia é o principal modal de transporte de cargas e passageiros do Brasil. Portanto, para reverter todo esse quadro degradante, é preciso investir em conservação, recuperação e construção de estradas.
 Um estudo da mesma CNT aponta que, para recuperar quase 72 mil km de rodovias desgastadas no Brasil, seriam necessários R$ 57,08 bilhões, mais R$ 137,13 bilhões para adequação da capacidade das vias por meio de duplicação e outros R$ 98,33 bilhões para a construção e pavimentação de 21 mil km. O mesmo levantamento registrou, em 2016, um aumento de 26,6% de pontos críticos em relação a 2015. Dos 414 pontos críticos detectados, destacam-se a ocorrência de 304 buracos grandes, 93 erosões na pista, 13 quedas de barreiras e quatro pontes caídas. Ora, todos esses problemas contribuem para elevar o custo operacional do transporte, aumentar os riscos

de acidentes, reduzir o desempenho dos veículos e a qualidade do serviço prestado, além de impactar o meio ambiente e favorecer o roubo de cargas e de passageiros.

 Portanto, apesar da crise financeira, urge investir em infraestrutura rodoviária. Infelizmente, na contramão desse imperativo, o que assistimos, hoje, no Brasil é o esvaziamento ou desmonte progressivo dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem (DERs). O caso mais emblemático foi a extinção (há quase dois anos), de maneira precipitada e leviana, do Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, o antigo Derba, que este ano completaria um século de bons serviços prestados à malha rodoviária baiana. O resultado disso é visto, diariamente, por quem trafega pelas estradas baianas.

* Nilton Borges Ramos é engenheiro civil e presidente da Asderba/Sindicato.

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