Indústria ainda não sabe qual é o futuro do carro
Qual será o futuro do carro?
- Deixar o computador assumir o volante e se tornar uma sala de estar?
- Tornar o motor a combustão uma peça de museu?
- Ser um produto compartilhado, e não um bem próprio?
E as montadoras? Vão dar lugar a empresas que não produzem só carros, mas tecnologia e serviços de transporte também? Perderão espaço para Google e cia?
Por enquanto, nem elas sabem. Uma pesquisa da consultoria KPMG com 1 mil executivos do setor automotivo em 42 países aponta para tendências diversas. A unanimidade é que a presença do mundo digital nos carros será cada vez maior, mas não há grandes indicações de qual será o caminho principal para isso se consolidar.
Outro estudo, da consultoria Accenture, chegou a conclusão semelhante: “A produção de carros não é mais só voltada ao produto. Está se tornando um jogo de serviço digital”.
E a empresa já estima o tamanho da perda se as montadoras deixarem esse “bonde” passar.
or “digitalizar-se”, a consultoria quer dizer tanto promover a interação da fabricante com o consumidor quanto incorporar a tecnologia em processos do desenvolvimento, fabricação e manutenção dos veículos.
A mesma preocupação é expressada por Bacellar, da KPMG, lembrando as empresas de telecomunicações, que acabaram passando ao largo do “boom” dos serviços para smartphones, um mercado dominado desde o início por companhias de tecnologia, como Apple e Google.
Elétricos e conectividade em alta
Perguntados sobre quais seriam as tendências mais importantes para carros nos próximos 8 anos, a maioria dos executivos que trabalham em montadoras e fábricas de autopeças apontou para veículos com motores elétricos a bateria, carros elétricos a hidrogênio (célula de combustível) e conectividade.
“Isso ocorre durante toda a pesquisa. O brasileiro é muito receptivo à tecnologia, se coloca numa posição menos conservadora. Está sempre muito disposto a experimentar novidades”, diz Bacellar. “Tanto que teremos, em breve, o anúncio de uma parceria entre montadora e empresa de tecnologia aqui, algo inédito no mundo.”
Os executivos brasileiros ainda deram peso de serviços como o “car sharing”, em que um carro que pertence a uma empresa ou pessoa é aproveitado por diversos usuários. A General Motors é uma montadora que entrou nesse negócio, com o Maven. Esta tendência também foi considerada muito importante por 50% dos 2.400 consumidores de 42 países ouvidos na pesquisa.