Cansaço mata nas estradas

22/07/2016 às 6:18 pm
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Confira a entrevista exclusiva de Darcio Centoducato, Diretor da Pamcary, maior gerenciadora de riscos da América Latina.

Trânsito Livre – De acordo com levantamento divulgado pela Pamcary, acidentes causam mais prejuízos do que roubos, tanto nas Rodovias Federais quanto nas Estaduais. Como as novas tecnologias de segurança e prevenção podem atuar na redução desses dois índices?

Darcio Centoducato – Para resolver qualquer problema é preciso primeiro conhecer suas causas. No caso dos acidentes com veículos de carga, os principais vilões são a fadiga e velocidade incompatível nas curvas! Para lidar com a fadiga gerada pelas jornadas excessivas de direção, infelizmente alguns motoristas fazem uso de substâncias químicas na tentativa de manterem seu nível de alerta. O efeito é justamente o oposto e quando uma reta termina numa curva, o resultado é o tombamento ou capotagem. Assim, quando a tecnologia é aplicada na seleção e acompanhamento do comportamento do motorista, segundo uma política que incentive a direção segura, pode fazer toda a diferença. Aqui, quando falamos em tecnologia, não nos referimos apenas àquelas que permitem medir o grau de agressividade com que o motorista dirige, bem como o tempo de direção e descanso. Estamos saudando também o exame toxicológico de larga janela, que vai identificar aqueles profissionais que precisam de ajuda se quiserem exercer esta profissão de risco.

Centoducato no lançamento do ITTS na Folha de São Paulo

Centoducato no lançamento do ITTS na Folha de São Paulo

T.L. – Segundo dados do Ministério do Trabalho, a profissão de motorista de caminhão é a mais mortal do país, seguida de motorista de ônibus rodoviário. Quais são as razões dessa vulnerabilidade laboral?

D.C. – Em especial o motorista autônomo tem o seu salário inteiramente “variável” (quanto mais viagens, maior sua receita). As viagens mais distantes, para as quais a transportadora não tem a “carga de retorno” é oferecida a este tipo de profissional. A fadiga é muito maior, criando maior atrativo a substâncias tóxicas para mantê-lo acordado. Veículos mais velhos… Combine todos estes fatores e tornamos o motorista de caminhão a maior vítima dos acidentes rodoviários e campeão entre as profissões mais perigosas do Brasil.

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T.L. – No cenário dos clientes Pamcary, os acidentes de maior frequência e gravidade nas estradas são tombamentos e capotagens. O que essas duas categorias têm em comum?

D.C. – Estes tipos de evento são muito semelhantes, a capotagem é um tombamento mais 90º. E o que faz um veículo tombar? Provavelmente vai se lembrar da forca centrípeta (se pensou em na centrifuga, os físicos dizem que ela é a reação da centrípeta). Lembra-se da fórmula?

tombamento-caminhao

Fc= m . v 2/Rc

Esta força depende diretamente da massa, inversamente do raio da curva (quanto mais fechada, maior) e exponencialmente da velocidade nesta curva. Mas o que tem as drogas a ver com esta fórmula? Bem, imagine um motorista sob efeito de drogas, entrando numa curva em alta velocidade, sem o pleno domínio de suas faculdades perceptivas?

T.L. – De acordo com dados do programa de Gestão de Riscos da Pamcary, algumas empresas, como a Unilever, tem conseguido diminuir a frequência de acidentes em suas frotas, com adoção de determinadas ações. Como conciliar alto desempenho logístico e segurança nas estradas?

D.C. – Será que o aumento da produtividade da frota com adoção de modelos de alto desempenho no transporte acarreta aumento dos acidentes? Tenho observado na prática que é exatamente o oposto que acontece. Motoristas conscientes e treinados a enfrentar os riscos de uma determinada rota, tendo seu comportamento e pontualidade medidos e gerenciados em tempo real por uma central e, principalmente, se forem recompensados com base nesses indicadores, estão 3 vezes menos propensos a se envolverem em acidente, conforme observados nos programas de prevenção de acidentes que a Pamcary tem implementado nos últimos 10 anos. Ou seja, se houver uma política clara e sustentável da indústria, que influencie transportadoras e seus motoristas a dirigir dentro de prazos adequados, possibilitando o devido descanso a eles, teremos condições melhores condições de reduzir as mortes no TRC e ainda assim, evitar perdas!

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