Apreensão de drogas em rodovias federais disparam com pandemia

27/07/2020 às 5:13 pm

A Polícia Rodoviária Federal registrou um grande aumento na quantidade de drogas apreendidas nas estradas federais brasileiras. No primeiro semestre deste ano, em meio à pandemia do novo coronavírus, a apreensão de maconha mais do que dobrou, subindo 128%, em comparação com o mesmo período de 2019. Foram apreendidas de janeiro a junho deste ano um total de 316,2 toneladas de maconha nas rodovias federais brasileiras, além de 14,6 toneladas de cocaína, uma alta de 56% em relação a 2019.

A corporação afirma que diminuiu as abordagens de rotina no primeiro semestre, para que seus agentes não se tornassem vetores do coronavírus. Por outro lado, o órgão diz acreditar que investimentos em tecnologia e inteligência, nos últimos dois anos, foram responsáveis pelo aumento nas apreensões. “Antigamente, as abordagens eram mais aleatórias, até porque nós estamos ligados ao trânsito, então qualquer veículo pode ser abordado pela PRF. Foram muitas abordagens aleatórias e nós confiávamos tão somente no policial que estava na abordagem“, afirma a agente Pâmela Vieira, porta-voz da PRF. “Nós estamos aliando a isso informações de inteligência. Temos um banco de dados que nos mostram tendências, horários, rotas, uma série de informações que nos ajudam a focar a fiscalização para que o pessoal lá na ponta consiga abordar os alvos certos”, diz.

Enquanto a cocaína chega ao Brasil também por via aérea e fluvial, a maconha entra predominantemente por via terrestre, sendo Mato Grosso do Sul e Paraná as grandes portas de entrada. Os dois estados concentraram 75% das apreensões efetuadas pela PRF no semestre. Esse alto índice tem relação com o aumento na produção de maconha no vizinho Paraguai em tempos recentes, que acaba sendo exportada para o Brasil.

Assim como a PRF, as forças de segurança paranaenses registraram grande aumento nas apreensões. O comandante da PM no estado, coronel Péricles de Matos, ressalta as ações de repressão do estado e a criação de um batalhão de fronteira. O comandante da PM paranaense e especialistas em segurança pública apontam também a alta demanda por drogas, durante a pandemia do novo coronavírus, como um fator para o aumento na circulação de maconha e cocaína no país. “Paralelo a isso, a essa oferta do produto do Paraguai, a chegada do coronavírus e o isolamento social imposto fizeram com que o uso recreativo migrasse para o interior das residências, o que, em razão do estresse da pandemia, do medo, do pânico social, conduziu a isso, aqueles que se dispõem ao uso do entorpecente a usar mais, então houve também mercado”, afirma o

A sua visão é compartilhada com especialistas em segurança pública. O professor de relações internacionais da USP Leandro Piquet Carneiro, especialista em crime organizado, lembra que não apenas no Brasil mas também em outros países do mundo houve um consumo maior de drogas durante a pandemia. “Especialistas na área de saúde alertam que têm aumentado realmente. As pessoas estão usando como medicamento, para aliviar o estresse desse período, assim como o álcool, então a maconha a gente sabe que está num processo de aumento”, afirma.

Fonte: Diário de Pernambuco

últimas Postagens