Mulheres no trânsito – Da Arábia ao Brasil

26/06/2018 às 5:55 pm
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A Arábia Saudita foi o último país do mundo a reconhecer o direito das mulheres de dirigir. Até pouco tempo, mulheres pegas dirigindo iam para a prisão.

Já no Brasil, a primeira habilitação feminina foi expedida em 1932, para Maria José Pereira Barbosa Lima e Rosa Helena Schorling. Um ano mais tarde, Schorling conseguiu também o direito de pilotar motocicletas. Apesar do direito garantido, a participação feminina no trânsito do Brasil sempre enfrentou preconceitos.

A decisão incrivelmente tardia da Arábia Saudita de permitir que mulheres dirijam demonstra que o preconceito de gênero ainda é muito forte em determinadas partes do mundo. Por lá, por exemplo, ainda é impensável uma mulher dirigir profissionalmente, ou transportar cargas com um caminhão. Isto porque elas nem ao menos podem viajar sem autorização de seu pai ou marido. No Brasil, este preconceito quase nunca é tão flagrante, já que contamos com legislação mais avançada e igualitária. Ao menos na teoria, somos todos iguais perante à lei. Por aqui o preconceito geralmente é expresso em piadas e frases prontas, como o desgastado chavão “mulher no volante, perigo constante”.

Esta situação acaba por afastar potenciais motoristas do volante. Apesar das mulheres somarem 51% da população, elas são só 33% dos condutores. E isto se torna um problema maior se observarmos as estatísticas: de acordo com o DPVAT, as mulheres causam menos acidentes que os homens. Os homens representam 75% das indenizações pagas pelo seguro obrigatório; as mulheres, 25%. Outro dado interessante é o número de mortes: 82% das mortes no trânsito são de homens, contra 18% de mulheres. Com bases nesses dados, podemos afirmar que uma maior participação feminina significaria um trânsito mais seguro.

As mulheres também são minoria quando tratamos de motoristas profissionais. Isto acontece também pela falta de segurança das estradas do país, que faz com que muitas mulheres evitem longas viagens desacompanhadas. Mas até mesmo em rotas mais seguras, como nas companhias de ônibus metropolitanas, as mulheres são minoria. Na cidade de são Paulo, por exemplo, as motoristas de ônibus são cerca de 3%. No início deste ano, o secretário de Transportes na Cidade de São Paulo Sergio Avelleda defendeu uma maior porcentagem de motoristas mulheres nos ônibus do sistema público. Segundo ele, existe uma queda acentuada no número de acidentes de ônibus quando as motoristas são mulheres.

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