“Governo não se esforça para combater o uso de drogas por caminhoneiros”

01/08/2016 às 4:28 pm

Publicado originalmente em: Jornal Edição do Brasil (01/08/2016)

Dia dos Caminhoneiros é celebrado em 25 de julho, porém com as condições de trabalho que a classe enfrenta fica difícil comemorar. Teste realizado no final do ano passado comprovou que 34% dos motoristas de caminhão do Brasil utilizam drogas. Dentre as mais usadas, a cocaína é a principal em 73% dos casos, a anfetamina, popularmente conhecida como rebite, apareceu em 18% das amostras.

O motivo do uso das substâncias é a necessidade de se manter acordado por mais tempo, visando trabalhar de uma maneira mais rápida. Entretanto, essa medida se apresenta como não eficaz em longo prazo e acaba causando diversos acidentes nas estradas.

Exames toxicológicos deveriam ser feitos periodicamente para diminuir essa porcentagem. A medida que obrigava a vistoria foi barrada no início do ano em vários Estados brasileiros devido a seu custo de manutenção. Porém, a liminar que suspendia o exame já está sendo derrubada em várias regiões, inclusive em Minas Gerais.

Causas

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Minas Gerais (Fettrominas), Antônio da Costa Miranda, comenta que o uso de droga aumentou em todo o mundo, no Brasil inteiro e em todas as camadas sociais. “Com referência a carga horária, nós temos feito um trabalho muito grande para tentar diminuir essa tensão e horários abusivos para diminuir o consumo. Na nossa categoria, o índice não é alarmante. Porém qualquer que seja o número para nós é preocupante. Temos feito um trabalho intensivo. Esse problema dos horários é algo bem presente. O motorista tem que pegar uma carga e levá-la para determinado local, com isso se iniciou a utilização do rebite e foi migrando para drogas mais pesadas. O uso tem relação com a carga horária, estresse e a crescente facilidade de conseguir essas drogas, independente da categoria profissional”, afirma Miranda.

Ele relata que os maiores usuários são os motoristas autônomos. “Quando a gente faz pesquisas comprovamos que quem tem a maior utilização são os autônomos. Isso porque eles precisam trabalhar mais para poder manter seus caminhões rodando e pagar as prestações. Eles acabam usando para poder aguentar a jornada”.

Governo e medidas

Segundo o presidente da Fettrominas, o governo tem feito muito pouco para auxiliar nessa questão. “Inclusive lamentamos porque depois de 40 anos, conseguimos aprovar a Lei 12.619/12 e 19 artigos que eram importantes e falavam sobre os postos de parada, descansos, carga horária, enfim, a parte que cabia um investimento maior por parte do Estado, foram vetados pela presidente Dilma Rousseff. Isso descaracterizou bastante a lei que iria dar uma grande contribuição nesse estresse, nessa jornada fatigante, reduzir acidentes etc. Foi comprovado que, com pouco tempo em vigor, a lei, mesmo desfigurada conseguiu diminuir os acidentes. Alguns anos depois, sua eficácia foi novamente reduzida ao aprovarem a Lei 13.103/15 (que dispõe sobre a profissão do motorista)”.

Miranda menciona que a classe patronal tem dado uma contribuição relativa. “Nas duas leis, principalmente a primeira, esse braço foi bem colaborativo. Nós temos feito nossa parte com palestras, material de divulgação e algumas empresas têm realizado um trabalho mais intensivo. Continuaremos a lutar por melhorias de trabalho, estradas, segurança em prol desses profissionais que tem tamanho esforço e dedicação”.

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