Estudo: EUA perderá mais de 200 milhões de carros

15/05/2017 às 4:01 pm
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Publicado em: Noticias Automotivas

A previsão é sombria para o mercado automotivo americano e está ligada diretamente à revolução que começa a ocorrer em boa parte do mundo, em especial nos EUA. Conforme comentamos essa semana, carros elétricos e autônomos deverão tomar contar da paisagem em muitos países e a necessidade de um veículo numa economia compartilhada será muito menor que atualmente. Ou seja, mais carros inteligentes, mas em quantidade menor nas ruas.

O compartilhamento é visto por alguns fabricantes como a nova fase de negócios do setor automotivo e dois deles já se preparam para isso: Ford e GM. No segundo caso, a empresa afirmou não saber se continuará existindo como fabricante de veículos ou fornecedora de serviços, no caso produzindo carros apenas para o compartilhamento. O fato é que isso pode assustar aos amantes dos automóveis e, em especial, quem planeja ainda ter seu próprio carro nos próximos anos.

Naturalmente, o mercado tradicional deve se manter por muitos anos, já que muitos ainda desejarão ter a propriedade de um automóvel, mas uma previsão sombria – nesse aspecto – aponta para um mercado americano assustadoramente menor do que hoje. Em realidade, seria como voltar 100 anos no tempo. Lembramos de um comentário do ministro do MDIC Marcos Pereira – no seminário de motores da Ford – quando se referia à frota brasileira, que hoje tem o mesmo tamanho da americana, mas de 1930. Por aqui, rodam 49 milhões, segundo o IBGE.

Pois é, de acordo com um estudo da consultoria ReThinkX, os EUA terão uma frota nacional de “apenas” 44 milhões de automóveis em 2030! Ou seja, seria como voltar um século no tempo. Atualmente, o país tem 247 milhões de carros em circulação. O motivo para a saída de 203 milhões de automóveis das ruas é exatamente o que comentamos mais acima: carro elétrico e autônomo. De acordo com o estudo, 95% da frota americana de carros que podem guiar sozinhos.

Desse total de carros autônomos, 60% serão compartilhados. Ou seja, apenas 40% ou cerca de 16,72 milhões terão seus próprios donos, enquanto 25,08 milhões estarão disponíveis para locação breve. Claro, essa conta que fizemos é bem simplória, já que muitos dos proprietários de carros elétricos autônomos também poderão compartilha-los por meio de aplicativos ou outra tecnologia que venha a existir daqui a 13 anos.

A quantidade de carros particulares, de acordo com o estudo, é semelhante ao que o mercado americano vende atualmente. Se os consumidores – ou melhor, prosumidores – trocassem de carro a cada ano, as vendas nos EUA se manteriam estáveis como agora, mas obviamente isso não é o caso. Em média, os contratos de leasing no país são de 36 meses.

Com a taxa de substituição dos carros compartilhados, que provavelmente ocorreria em período menor – hoje a média é de 18 meses nas locadoras – poderia manter a indústria americana sem um grande impacto negativo na produção. Mas o que fazer com os carros elétricos autônomos usados?

Provavelmente os mais degradados seriam reciclados, especialmente a bateria com boa vida útil ainda, enquanto os mais novos seriam exportados para mercados em desenvolvimento. A prática de exportação de usados é enorme e cresceria muito mais, acelerando a modernização das frotas de países pouco desenvolvidos.

De volta ao relatório da ReThinkX, a previsão é ainda mais sinistra para a indústria. Diferente do que poderíamos imaginar – conforme comentado acima – o mercado cairá 70% e isso arruinará muitos fabricantes de veículos, assim como concessionários, oficinas de reparação, seguradoras e impactará o setor de combustíveis, com redução de 25% no consumo de petróleo. O que não é tão alto quando se imagina uma frota 5,6 vezes menor que a atual. Deve-se lembrar que uma boa parte ou quase toda ela será elétrica.

No entanto, esse cenário “aterrador” para o mercado americano não seria assim tão ruim para as pessoas. O estudo aponta um grande impacto no trânsito de estradas e cidades dos EUA, assim como na emissão de poluentes na atmosfera. O estudo aponta também para um custo de utilização bem menor de carros elétricos autônomos, algo entre duas e quatro vezes menos que um carro convencional hoje. A previsão é que alcance até dez vezes o custo de operação de um carro novo.

O motivo dessa enorme redução nos custos é a própria tecnologia. Carros elétricos demandam menos manutenção, custos de operação são menores e seguros bem mais baratos por causa da condução autônoma. O estudo aponta para impostos menores e uma vida útil maior. A média de durabilidade de um carro elétrico é estimada em 800.000 km e a economia anual com o compartilhamento será de US$ 5.600. Ou seja, a cada dois anos se economiza o valor de um carro novo atualmente nos EUA (considerando o mais barato deles).

Por fim, a previsão da ReThinkX leva ainda em consideração alguns fatores que poderão influenciar bastante nesses números, tais como evolução da tecnologia, legislação e percepção do público, que é a parte mais complicada dessa equação, já que em apenas 13 anos, o consumidor americano teria que mudar completamente sua mentalidade em relação ao automóvel, o que sem dúvida é um período de tempo muito curto, mesmo para a realidade brasileira, cuja taxa de motorização é ainda muito baixa.

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