A quem (não) interessa os exames toxicológicos para motoristas profissionais

12/07/2016 às 12:11 pm
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Com a obrigatoriedade da realização do exame toxicológico do cabelo para motoristas das categorias C, D e E, que teve início em 02 de março deste ano, muitos argumentos pró e contra surgiram. Todas as iniciativas que chegam no bojo de grandes inovações criam polêmicas, geram debates, e é natural que assim seja.

A sociedade se mobiliza, se posiciona, participa do debate, troca ideias. Os que militam na vanguarda apoiam, os conservadores ficam temerosos, os que perdem espaço criticam. As críticas, como sempre, têm natureza distinta em função de sua origem. A inovação é mesmo assim: revolucionária, transformadora e, por isso mesmo, temida.

A quem interessa os exames toxicológicos de larga janela? Em primeiro lugar, à sociedade brasileira (96% de aprovação pelo IBOPE) que contabiliza 2 milhões de acidentes, com aproximadamente 550 mil feridos, 60% dos quais com sequelas permanentes e inaceitáveis 50 mil mortes, todos os anos, sem que nada houvera sido feito de concreto, ou sequer proposto, para debelar tão evidente foco de sinistralidade.

Em segundo lugar, aos motoristas profissionais que trabalham diuturnamente, dirigindo veículos grandes e pesados em nossas ruas e estradas, muitas vezes mal asfaltadas, mal sinalizadas e iluminadas e que não precisam deste aditivo de risco que representam os colegas, com quem compartilham as mesmas ruas e estradas, subtraídos de suas faculdades mais básicas de reagir tempestivamente aos eventos do trânsito. Capacidade de concentração, foco, atenção, boa psicomotricidade e reflexos apurados, são o mínimo necessário para não elevar o índice dos acidentes aos níveis de descontrole que hoje ditam os números da tragédia de nosso trânsito. E são justamente estas, as capacidades perdidas pelo usuário regular de drogas, que representam, é certo, uma minoria, que causa, entretanto, um grande mal a toda a sociedade, participando segundo dados da PRF de mais de 51% dos acidentes com mortes em nossas rodovias.

Também interessa ao Estado brasileiro, que tem o dever de cumprir seu papel de garantir a segurança no trânsito, como estabelece o artigo primeiro do Código de Trânsito Brasileiro.

Interessa às entidades de vítimas de trânsito, que sofrem as consequências mais drásticas dos acidentes. Interessa ainda aos caminhoneiros, que são prejudicados na ótica econômica, pois sofrem a concorrência desleal dos colegas de profissão que utilizam drogas como fator de lucratividade, já que aumentam a capacidade de o corpo suportar jornadas mais longas.

Da mesma forma, interessa ainda aos agentes de trânsito e as polícias rodoviárias que enfrentam as consequências da violência e da criminalidade que envolve caminhoneiros no tráfico de entorpecentes, roubo de cargas, contrabando, etc.

Interessa também aos laboratórios que os realizam, porque não? Desde que prestem serviços de alto valor agregado, que beneficiem a sociedade, a economia do país e tem ainda a boa ação de proteger a vida humana. Trata-se, afinal, de oportunidade de negócios que cria empregos e garante ganhos de escala em uma tecnologia laboratorial de ponta, que identifica a regularidade no uso de drogas e não apenas sua verificação instantânea, esta é a grande quebra de paradigma.

Em defesa da ação do exame toxicológico no país, exaltamos ainda a experiência norte-americana, onde o exame preventivo já é utilizado desde 1988, com o teste do cabelo sendo praticado pelas maiores transportadoras há mais de 10 anos, experiência que as levou a propor sua adoção obrigatória ao Congresso dos EUA por meio de uma lei sancionada pelo presidente Barack Obama em 2015. Algumas dessas empresas, como a J.B Hunt e a Maverick, chegaram ao índice zero de acidentes envolvendo drogas depois da implantação dos exames de cabelo.

Pesquisas do IBOPE realizadas nos anos de 2014 e 2015, antes e depois da votação da Lei 13.103, revelaram que 96% dos brasileiros aprovam o exame toxicológico de larga janela de detecção. Ainda assim, existem alguns grupos que não tem interesse na adoção da medida, ou melhor, tem interesse na sua não-adoção. Os motivos são sempre econômicos e vêm mascarados por pretenso bom mocismo.

É fácil identificar os interesses de cada grupo dos que se manifestam a favor do exame toxicológico de larga janela e daqueles não querem sua aplicação.

A questão é definir onde existe legitimidade e bom senso.

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