A segurança nos transportes aéreos e terrestres

12/01/2017 às 6:18 pm
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Como já tratamos aqui, é verdade que os novos aparatos de tecnologia veicular vêm aproximando cada vez mais carros a aviões.  Além da importação desses recursos, muitos avanços nas medidas de segurança e prevenção de acidentes nas estradas também são inspirados em medidas de sucesso já utilizadas na aviação. O ITTS conversou com exclusividade com o médico Marco Cantero, especialista em Medicina do Trabalho, membro da ASMA (Aerospace Medical Association) e da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial do Conselho Federal de Medicina. Com larga atuação no setor aéreo, Dr. Marco Cantero foi recentemente eleito Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial. Confira:

1) Sabemos que os protocolos da medicina moderna privilegiam e dão prioridade à práticas preventivas das causas em detrimento do tratamento das consequências. Por favor, discorra um sobre esse tema. 

Sem dúvida o avanço da Medicina com consequente aumento da expectativa de vida baseia-se no tratamento e cura de doenças, mas tem como pilar fundamental a prevenção. Ela é mais eficiente, mais barata e promove saúde, não permitindo ou adiando o avanço das doenças. Exemplos práticos são a vacinação e o estímulo à vida saudável, com alimentação diversificada, sem drogas e com atividade física.

2) Qual a importância da medicina na prevenção de acidentes aéreos e rodoviários?

Na aviação entende-se que o Fator Humano sempre tem parcela significativa na prevenção ou na causa dos acidentes. Além dos fatores materiais e operacionais, os estudos mostram que o fator humano é sempre decisivo. Situações onde existe deficiência de julgamento e ou dificuldades para tomada de decisões são comumente encontradas nas pesquisas sobre os acidentes. Comportamentos arrogantes e intempestivos (como pode ter ocorrido no acidente da Chapecoense), uso de drogas, stress, fadiga e treinamento inadequado são exemplos de condições que propiciam as tomadas de decisões inadequadas.

3)  No mundo atual, cada dia mais pessoas usam drogas. Como evitar que funcionários e demais profissionais que tenham envolvimento com a segurança das aeronaves sejam usuários de drogas?

Além da educação desde o berço, papel das Famílias e dos Estados, os trabalhadores na Indústria da Aviação são treinados sobre o valor maior de Segurança Operacional, onde o uso de Drogas é algo inadmissível. Não pode haver a permissividade para esse assunto, sob risco de tragédias. Por isso, há controle rigoroso em todo Mundo sob o uso de drogas na Aviação.

4) Qual a experiência do segmento aéreo no Brasil e no mundo nesse sentido?

Além da Educação e Treinamento constante, as Agências reguladoras da Aviação no Mundo (ANAC no Brasil) tem Regulamentos específicos sobre o tema. No Brasil há o RBAC 120 (Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 120) que determina a testagem toxicológica em trabalhadores que executam alguma atividade de risco operacional, como pilotos, comissários, mecânicos, agentes de bagagem, entre outros. Há ainda muito pra melhorar, mas avanços significativos desde o lançamento da RBAC 120 em 2011 foram conquistados.

5)  Os acidentes de avião são sempre investigados em detalhe. Esse tipo de investigação não acontece no segmento do no transporte rodoviário de passageiros e cargas e que causa um número muito maior de vítimas do que qualquer outro modal de transporte. Com base em sua experiência nas investigações aéreas, o que recomendaria para o segmento rodoviário?

Como referência, a regulamentação no Mundo inteiro determina que pós acidente ou incidente aéreo amostras de tecido humano sejam recolhidos para testagens toxicológicas. Faz parte das investigações. É tempo obrigatório.

6)  Que medidas o senhor sugere para reduzir a intensidade e a frequência de acidentes envolvendo ônibus e caminhão no país?

Educação, educação e educação!!! Esse é o fundamental. E deve ser intensificada de imediato. Entretanto, os resultados de mudança de cultura demoram mais de 10 anos. Durante esse período, restrições e controles devem ser adotados fortemente, como testagens toxicológicas por exemplo e cumprimento firme da Legislação de Trânsito.

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