Crescem os casos de acidentes com motociclistas no país
Acidentes com motocicletas mataram 36 pessoas em Sorocaba em 2015, sendo computados 258 óbitos entre 2010 e 2015. Os dados, do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), indicam aumento nessa modalidade de acidentes de trânsito no Brasil, uma vez que o número de lesões é ainda superior ao de óbitos. Quem fala a respeito é o médico José Mauro da Silva Rodrigues, professor responsável pela área de cirurgia geral e trauma da Pontifícia Universidade Católica (PUC) São Paulo, campus Sorocaba, e presidente nacional da Sociedade Brasileira de Atendimento Integral ao Traumatizado (SBAIT). Uma das causas desse crescimento está no uso desse tipo de veículo para o trabalho.
De acordo com o médico José Mauro, os eventos de trânsito envolvendo motos têm crescido em todo o país, e segundo ele, seriam 100% passíveis de prevenção se a legislação fosse respeitada, lembrando ainda que a situação envolve um tripé: a via pública, o veículo e a pessoa, sendo que o elemento humano é o responsável por cerca de 80% das ocorrências. O responsável por cirurgia geral e traumas da PUC local avalia duas causas como principais fatores para o aumento de eventos envolvendo motocicletas no Brasil: o fato do novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ter vetado o artigo que proibia o tráfego da motocicleta entre os automóveis, e o incentivo desse tipo de veículo para o transporte, quando sua origem se destinava mais ao lazer. E nesse sentido os motoboys são um dos profissionais mais vulneráveis.
José Mauro atenta que os motoboys são muito pressionados em fazer seus trabalhos de forma sempre muito corrida, o que, associado à brecha do CTB em permitir o tráfego de motos em meio a outros veículos, potencializam os riscos de acidentes. Para o médico, a conscientização, por parte do motociclista, de que a moto é um veículo como um de quatro rodas, pode colaborar para a redução dos casos, como dos prejuízos, tanto na esfera familiar, que precisa arcar com a tragédia de uma morte ou lesões, algumas até permanentes, que acabam por afetar seu rendimento econômico. Entre as lesões mais comuns está o trauma craniano, especialmente nas regiões do Norte e Nordeste, onde o uso do capacete não é tão difundido. O fator econômico também é sentido pelo Estado, em decorrência do atendimento custeado pelo serviço público.
Dados
Também segundo o Datasus, no Brasil morre por ano, no trânsito, uma média de 45 mil pessoas, ao passo de que a morte por violência alcança 130 mil vítimas. De acordo com os dados compreendidos entre 2010 e 2014, houve uma redução de 19% nas mortes de pedestres, e aumento de 16% nas mortes causadas por acidentes com motocicletas.
Em Sorocaba, por sua vez, também segundo o Datasus, a redução de morte de pedestre se confirma, sendo que de 2010 a 2015, morreram, respectivamente, 46, 33, 31, 29, 34, e 22 pedestres. Nesse mesmo período morreram vítimas dos eventos com motos 46, 42, 36, 57, 41, e 36 pessoas. Porém, nesse quesito o médico lembra que apesar de ter havido leve redução, tal constatação é muito grave, tendo em vista que na maioria das vezes as vítimas ficam lesionadas.
E pelo levantamento de 2015 da Organização Mundial da Saúde (OMS), 28% dos acidentes de trânsito envolvem motos, 23% motoristas de demais veículos e passageiros, e em 20% as vítimas são pedestres.
A OMS também considera cinco fatores básicos de prevenção, sendo velocidade, álcool, uso de capacete, cinto de seguança e cadeirinha de criança. O Brasil, conforme a Organização, atende quatro desses conceitos, deixando a desejar apenas no que se refere à velocidade. Entretanto, apesar do reconhecimento pela OMS pelo país atender à maioria dos conceitos de segurança no trânsito, na prática os números ainda são alarmantes, tendo morrido 44.823 pessoas em 2014, 43.452 no ano anterior, e 46.051 em 2012.